1 de agosto de 2011

Cuidados Nutricionais na Gota

A gota é decorrência do excesso de ácido úrico e pode atingir adultos e jovens podendo     ser prevenida desde a adolescência com a adoção de uma alimentação adequada.
A crescente concentração de ácido úrico no sangue levando a formação de cristais que podem ser depositados nas articulações, tendões, rins e outros tecidos provocando inflamação e lesões consideráveis. Este é um distúrbio herdado de uma utilização errada pelo organismo da purina, uma vez que o ácido úrico é derivado desta.
Se caracteriza por dor forte nas articulações, em geral pés, mãos, joelhos, ombros e cotovelos. A dor é aguda e súbita e a região onde a crise acontece fica vermelha e muito inchada. Caso não seja tratado, o quadro pode evoluir para artrite gotosa.
A gota também traz como característica a formação de abscessos sobre as articulações, semelhantes a caroços cheios de substância branca dentro, denominadas de “tofos”. 
O primeiro episódio de gota é caracterizado por dor intensa geralmente em uma única articulação. Se o processo inflamatório continua surgem febres e calafrios e é precedido por um evento específico como excesso alimentar, ingestão de álcool, trauma, certos remédios ou cirurgia. Esta doença aumenta o risco de cálculos renais e na maioria das pessoas ocorre algum grau de disfunção renal.  
A gota classifica-se em duas categorias principais: primária e secundária. A primária responde pela maioria dos casos e o nível elevado de ácido úrico no sangue deve-se a uma das três causas: (1) formação intensificada do ácido úrico, (2) redução na capacidade de eliminar ácido úrico e (3) superprodução de ácido úrico, bem como eliminação deficiente.
A gota secundária se refere aos casos em que o nível elevado de ácido úrico é secundário a outra doença, como por exemplo alguma forma de doença renal, pois quase todo ácido úrico do sangue é filtrado e reabsorvido pelos rins.
A gota é o nome popular de um dos tipos de artrite. Outros dois tipos que costumam afetar seriamente as pessoas são a osteoartrite e a artrite reumática. Todas se manifestam com algum distúrbio ou inflamação nas articulações e popularmente são chamadas de reumatismo.
Se faz importante o controle da doença afim de não evoluir para fase crônica, onde a dor é intensa e a deformação das articulações se mostra irreversível. A litíase renal ou cálculo renal pode ser a primeira manifestação da doença. Neste momento é necessário a mudança alimentar afim de evitar a evolução da doença.
As proteínas são metabolizadas em nosso organismo, e o seu produto final, o ácido úrico é eliminado como toxina. É bastante solúvel em água e é eliminado na urina.
O rim é o órgão responsável pela filtragem do sangue e eliminação das toxinas. É normal certa quantidade de ácido úrico no sangue. Seu excesso provoca, nas articulações, a gota úrica; nos rins, os cálculos renais.
A gota pode ser desencadeada por excesso de ingestão de proteínas, conseqüência da       obesidade, lesões, etc.
O consumo excessivo de álcool é outro fator importante, pois pode provocar acúmulo do ácido úrico nos rins. Quando isso ocorre, a doença geralmente está em estágio mais grave. Neste caso a cada inflamação, o rim cicatriza e se retrai. Essa retração deixa as artérias mais estreitas e com isso o sangue tem mais dificuldade de passar. O corpo, para resolver o estreitamento arterial, produz uma substância chamada angiotensina. Essa substância aumenta a pressão sangüínea e compõe um quadro de hipertensão, doença que com o tempo pode levar a um infarto do miocárdio ou a acidentes vasculares (“derrames”). 
A obesidade interfere de várias maneiras: a principal é a gordura que impede a eliminação completa do ácido úrico, que se acumula.
Dentre os fatores que desencadeiam a crise, um dos mais importantes é a alimentação. Uma dieta rica em proteínas, especialmente uma substância chamada purina, resulta em aumento da concentração de ácido úrico no sangue, logo os alimentos ricos nessas substâncias devem ser evitados (caldos concentrados, gordura, enlatados, embutidos).       
O tratamento alimentar da gota envolve as seguintes diretrizes:

* Eliminação da ingestão de álcool
O álcool aumenta a produção e reduz a excreção de ácido úrico ao enfraquecer a função renal. Seu consumo muitas das vezes é o fator de precipitação de ataques agudos de gota.

* Dieta pobre em purina
A purina é produzida no organismo e também ingerida através dos alimentos. Ao ser utilizada pelo corpo, produz ácido úrico, então acaba influenciando os níveis deste no sangue. Por isso alimentos com alto teor de purina devem ser totalmente omitidos. Estes incluem miúdos e vísceras, carne vermelha, crustáceos, levedura (de cerveja e de pão), arenque e extratos de carne e galinha e enlatados.
·         carnes como vitela, bacon, cabrito, carneiro ou ovelha, embutidos;
·         miúdos como fígado, coração, língua, rim e miolos;
·         anchova, ovas de peixe, mexilhão, marisco;
·         bebidas alcoólicas de todos os tipos;
·         tomates e extrato de tomate;
·         caldo de carnes e molhos prontos;
·         fermento de pães.
  

* Redução do peso
Pessoas com gota possuem tipicamente excesso de peso. Alcançar o peso corporal ideal se faz necessário porque a redução do peso reduz significativamente os níveis de ácido úrico do sangue, além disso, pessoas com sobrepeso são mais propensas a hipertensão arterial, diabetes mellitus e correm maior risco de desenvolverem doenças cardiovasculares.

* Aumentar a ingestão de líquidos
Beber bastante água mantém a urina diluída e auxilia a eliminação de ácido úrico, reduzindo ainda o risco de produção de cálculos renais.

* Adequar o consumo de carboidratos, proteínas e lipídios
Carboidratos refinados e gorduras saturadas devem ser consumidos em quantidades mínimas. Os carboidratos refinados aumentam a produção de ácido úrico; as gorduras diminuem sua eliminação. A ingestão de proteína não deve ser excessiva, pois a formação de ácido úrico pode ser acelerada pela sua ingestão elevada. Portanto o uso de frituras, manteigas e margarinas, molhos cremosos como maionese, chantilly e creme de leite, embutidos, enlatados, doces como bolos e tortas, biscoitos, pães doces cremosos, doce de leite devem ser evitados até a normalização dos níveis séricos de ácido úrico.

* Aumentar o consumo alimentos ricos em Flavanóides
Estes compostos como as antocianidinas e proantocianidinas, presentes em frutas de cor vermelha escura como cereja e morango tem a extraordinária capacidade de prevenir a destruição das estruturas das articulações. A quercetina, um outro flavanóide encontrado em abundância em frutas e vegetais, também é capaz de promover benefícios a indivíduos gotosos, pois inibe a produção de ácido úrico e inibe a produção e liberação de compostos inflamatórios.

* Aumentar a ingestão de óleos ômega-3
Os óleos ômega-3, presente nos peixes de água fria e na semente de linhaça, limitam a produção de compostos conhecidos como leucotrienos, os principais mediadores das inflamações e das lesões teciduais da gota.

* Aumentar o consumo de alimentos ricos em Ácido Fólico
O ácido fólico inibe a xantina oxidase, enzima responsável pela produção de ácido úrico. Fontes de ácido fólico são: feijões, vegetais verde-escuros, espinafre, aspargo, brócolis, batata.

Lúcia Moura Cardoso – Nutricionista Clínica Funcional e Mestre em Psicologia Social (Escrito em 01/03/2002)

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