1 de agosto de 2011

Nutrição X Osteosporose

A osteoporose é uma doença esquelética caracterizada pela redução da massa óssea e deterioração do tecido ósseo. Estas alterações são comuns de acontecer durante a vida adulta e velhice, motivo pelo qual a doença ocorre mais durante estes estágios, no entanto quando se dão de maneira acelerada e excessiva tornam o esqueleto mais frágil, incapaz de sustentar o corpo e portanto mais suscetível a fraturas.
O osso, tecido-alvo da osteoporose, se submete continuadamente a um processo natural de remodelagem no qual é desfeito e refeito através da ação de células especializadas chamadas de osteoclastos e osteoblastos. A remodelagem óssea pode ser descrita de maneira simples da seguinte forma: os osteoclastos removem certas áreas do osso e os osteoblastos então preenchem a cavidade feita pelos osteoclastos com osso recentemente formado, de maneira que a quantidade de osso removido é substituída por, exatamente, a mesma quantidade de osso novo. Sem estas alterações na estrutura dos ossos não suportaríamos o corpo em crescimento, nem repararíamos fraturas bem pequenas que ocorrem com o passar do tempo. Quando há perda de massa óssea significa que ouve um desequilíbrio entre as fases de remodelagem óssea com um aumento da retirada ou reabsorção sobre a formação. Os processos de reabsorção óssea e formação de novo osso estão interligados e o equilíbrio entre estes dois processos são regulados principalmente pelo cálcio, os hormônios da paratireóide (PTH) e  calcitonina e vitamina D.
A remodelagem óssea contribui ainda para manter o nível de cálcio no sangue apropriado. O osso é uma matriz cheia de cálcio e colágeno em sua estrutura. Quando o nível de cálcio no sangue é muito baixo devido a ingestão e/ou excreção inadequada (balanço negativo no organismo), o osso acaba doando através da reabsorção óssea seu cálcio para normalizar o nível deste mineral no sangue. Essa retirada de mineral dos ossos ocorrendo com freqüência leva à osteoporose.
A idade é um importante determinante da densidade do osso. Por volta dos 40 anos de idade, a massa óssea começa a diminuir gradualmente em ambos os sexos, com uma perda contínua ao longo da vida, o que torna os homens e mulheres idosos mais vulneráveis à osteoporose. Destaque para as mulheres por possuírem maior probabilidade que os homens de desenvolver a doença. Isso porque a saúde óssea é influenciada por três fatores principais - dieta, exercício e estrógeno. À medida que a mulher entra na menopausa ocorre declínio nos níveis de estrogênio do organismo levando ao aumento da reabsorção óssea. Isso porque a baixa de estrogênio promove um desequilibrio entre cálcio, PTH, vitamina D e calcitonina, os reguladores dos processos de reabsorção e formação óssea. Por isso a terapia de reposição hormonal é muita das vezes utilizada para reduzir o índice de perda óssea.
Existem duas formas distintas de osteoporose, classificadas como Primária e Secundária, que podem ser diferenciadas em geral pelo sexo, idade e pelos tipos de ossos envolvidos. A Osteoporose Primária ainda se divide em TIPO I ou Osteoporose Pós-Menopausa, Tipo II ou Osteoporose Associada à Idade e Osteoporose Idiopática Primária.
No Tipo I a perda de densidade óssea acontece em mulheres entre os 15 e 20 anos de menopausa devido ao aumento da atividade do osteoclasto, que leva a uma reabsorção óssea mais profunda, quadro potencializado ainda pela falta de estrogênio. Os ossos mais envolvidos são os da pelve, fêmur, punhos, escápulas e vértebras lombares.
O Tipo II afeta ambos os sexos e ocorre em torno dos 70 anos, embora as mulheres sejam mais afetadas porque sofrem não apenas os efeitos degenerativos do envelhecimento comuns aos dois sexos, mas também a deterioração do esqueleto que caracteriza o período pós-menopausa. É marcada por fraturas nas vértebras torácicas que levam dores nas costas, perda de altura e “postura de corcunda”.
A Osteoporose Idiopática primária afeta mulheres pré-menopausa e homens jovens ou mais adultos. É um tipo raro de acontecer.
Na Osteoporose Secundária a perda de densidade óssea acontece devido a uma outra doença ou devido ao uso prolongado de certos medicamentos. Diabetes, insuficiência renal crônica, mal absorção, doença da paratireóide, gastrectomia e hipertireoidismo  são algumas doenças que podem levar à osteoporose por provocarem um balanço negativo de cálcio no organismo. Entre os medicamentos, se destacam os antiácidos contendo alumínio, esteróides, tetraciclina, anticonvulsivos e hormônio tireóideo exógeno.
Entre os fatores de risco que contribuem para a doença alguns já foram abordados como a idade e sexo; ingestão de cálcio limitada ao longo da vida; entrada da mulher na menopausa; além das causas que levam à Osteoporose Secundária como certos medicamentos e doenças que resultam em balanço negativo de cálcio. Mas nestes devem ser incluídos mais alguns como predisposição genética (história familiar); exercício limitado, condição comum entre pessoas em repouso prolongado ou incapazes de se mover; hábito tabagista; consumo excessivo de álcool e cafeína; raça, pois as mulheres de raça branca caucasianas, asiáticas e hispânicas são as mais propensas, e as negras apresentam menos risco; e ingestão de vitamina D inadequada.

Não podemos alterar os efeitos que o envelhecimento provoca em nossos corpos. No entanto, existem várias medidas que podemos tomar, a fim de reduzir os riscos de desenvolver osteoporose. Estas medidas consistem no fornecimento de nutrientes adequados em períodos apropriados durante o ciclo de vida.
O cálcio é um componente importante na prevenção da osteoporose. Este mineral é um pré-requisito para o crescimento ósseo normal; ele promove o desenvolvimento da massa esquelética na adolescência, retarda a perda-óssea pós-menopausa e melhora a densidade óssea na velhice. O cálcio pode ser obtido através do leite de vaca, sendo que o desnatado constitui uma melhor fonte, pois a gordura dificulta a utilização do mineral, derivados de leite como iogurtes e queijos desnatados, peixes como sardinha, vegetais folhosos verdes, tais como brócolis, couve-flor e repolho e feijões de soja. Por ser um mineral que para ser absorvido compete com outros como o Ferro, fique atento na combinação de alimentos. Misturar fontes ricas de cálcio com fontes ricas de ferro significa que um deles não será absorvido pelo organismo.
A vitamina D exerce um efeito particular sobre a massa óssea do corpo, pois tem a capacidade de aumentar a absorção intestinal de cálcio e de estimular a reabsorção renal do mineral. A deficiência desta vitamina leva a uma mineralização óssea prejudicada, condição conhecida como Osteomalácia. Os raios ultravioleta ajudam a converter a vitamina D presente nos alimentos em sua forma ativa. Portanto, uma boa dica para quem quer aproveitar melhor esta vitamina é se expor ao sol pela manhã.
 Dentre os proibidos estão as bebidas alcóolicas, as bebidas ricas em cafeína, o uso de cigarros e alimentos ricos em fosfato.  O álcool diminue a absorção de cálcio e vitamina D. Produz efeitos tóxicos sobre os osteoblastos, o que faz aumentar a reabsorção óssea. O cigarro é outro componente que atua negativamente sobre os osteoblastos e ainda acelera a degradação e inativação de estrógenos, o que faz com que mulheres fumantes atinjam mais precocemente a menopausa. Bebidas ricas em cafeína, como chá preto, chá mate e café, promovem maior excreção de cálcio pela urina e devem ser evitadas. O consumo de alimentos ricos em fosfato, tais como refrigerantes deve ser reduzido. O fosfato quando em excesso impede a absorção de cálcio. Logo uma fonte de fosfato numa mesma refeição que contenha cálcio irá inibir sua absorção.
As isoflavonas, compostos naturais presentes principalmente na soja podem, verdadeiramente, inibir a reabsorção óssea. Fazem isso ao ofertarem ao organismo estrogênio fracos, conhecidos como fitohormônio. São capazes de amenizar também os sintomas característicos da menopausa, como ondas de calor, suores noturnos e atuam prevenindo o câncer de mama.
Não esqueça que a prática de exercícios protege contra a perda de massa óssea, estimulando a atividade do osteoblasto, sendo benéfico também para o coração. A vida sedentária é mais um fator que contribui para a osteoporose.

Lúcia Moura Cardoso – Nutricionista Clínica Funcional e Mestre em Psicologia Social (Escrito em 03/05/2001)

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