1 de agosto de 2011

Minerais

São substâncias inorgânicas que não podem ser produzidas pelo organismo. Porém  essenciais à saúde, pois fazem parte de estruturas celulares, como por exemplo de células nervosas, sanguíneas, musculares, ósseas, dentes e tecido conjuntivo. Sua deficiência  implica  no aparecimento de sinais e sintomas patológicos.

. Boro
Funções: estudos recentes tem demonstrado possível ação benéfica do boro na prevenção da osteosporose na pós-menopausa (previne perda de cálcio e a desmineralização óssea, além de aumentar a produção de hormônio estrogênio).  Dietas ricas em boro reduzem a excreção de magnésio, em especial em pacientes usuários de medicamentos como diuréticos e digitálicos, utilizados na hipertensão arterial (essa ação poupadora de magnésio se faz importante para prevenção de doenças cardiovasculares, como doença isquêmica).
Deficiência: Estudos em humanos mostram que a privação de boro afeta orgãos como o cérebro e os ossos.
Fontes: frutas cítricas, vegetais folhosos, nozes, leguminosas.

. Cálcio
Funções:  Construção e manutenção dos ossos e dentes. Afeta a função dos transportes das membranas agindo como estabilizador de membrana; é necessário na transmissão nervosa; regulação da batida cardíaca e pressão arterial; atua na neurotransmissão mantendo desta forma o tônus muscular e a excitabilidade nervosa, regula a liberação de neurotransmissores; se faz importante para ativação de sistemas enzimáticos; ativa hormônios e neurotransmissores (noradrenalina, acetilcolina e serotonina); importante co-fator na conversão de protrombina em trombina, sendo importante para a coagulação sanguínea).
Deficiência: A deficiência de cálcio pode ocorrer por diminuição dos níveis de vitamina D; depleção nos níveis de estrogênio na pós-menopausa; uso de antiácidos à base de hidróxido de alumínio e corticóides. Tal deficiência pode desencadear processos patológicos como: desmineralização óssea (levando a osteospenia, osteosporose, osteomalácia); Tetania (por aumento na excitabilidade do tecido muscular e de fibras nervosas, caracterizada por diminuição da relação cálcio-fósforo); hipertensão arterial; fadiga crônica; ansiedade.
Fontes: sardinha, iogurte, leite desnatado, tofu, queijo, ricota, espinafre, brócolis, couve-de-bruxelas, couve-flor.

. Cobre
Funções: Atua como catalisador na formação de hemoglobina (sua deficiência provoca anemia); protege contra doenças cardiovasculares uma vez que atua diminuindo os níveis de LDL e colesterol total; tem ação antioxidante e antiinflamatória pois faz parte na superóxido desmutase e a ceruloplasmina, da qual o cobre é derivado, é agente varredor do tipo de radicais de oxigênio tóxicos liberados em várias doenças inflamatórias como por exemplo a artrite; importante na sínteses de colágeno e elastina, auxiliando na cicatrização e formação da matriz óssea; importante para conversão de T3 em  T4 (sua deficiência provoca hipotireoidismo); favorece absorção de ferro.
Deficiência: caracteriza-se por anemia hipocrômica e microcítica  podendo evoluir para leucopenia e deficiência imunológica. Algumas vezes, ocorre dispigmentação da pele e dos cabelos  por déficit na formação de melanina e desmineralização óssea por disfunção  na síntese de colágeno;  quadros de artrite reumatóide e alergia.
Fontes: ostras, fígado, tofu, ervilha, salmão, pão integral, leite.

. Cromo:
Funções: Útil no tratamento e prevenção da diabetes uma vez que o cromo faz parte  do complexo GTF (fator de tolerância a glicose) que age potencializando os efeitos da insulina, favorecendo a captação de glicose circulante pelas células na presença do hormônio; protege contra doenças cardiovasculares (pesquisas demonstram que o cromo favorece o aumento da lipoproteína de alta densidade – HDL e reduz os níveis de colesterol total); promove síntese de serotonina diminuindo a depressão.
Deficiência: pode ocorrer distúrbios no metabolismo de lipídeos e glicídios; hiperinsulinemia; hiperglicemia em jejum; alterações de crescimento; fadiga; neuropatia periférica e depressão.
Fontes: levedo de cerveja; carne, trigo integral, batata, gérmen de trigo, ovos, maçã, espinafre.



. Ferro
Funções: previne e cura a anemia ferropriva. A anemia refere a uma diminuição significativa do número de hemácias . A hemoglobina, proteína que confere ao  sangue
sua cor é responsável por  cerca de 30% das hemácias.  Ela é responsável pelo transporte de oxigênio do sangue para os tecidos. Quando as hemácias caem, o oxigênio do sangue também diminuem. A menor oxigenação dos tecidos leva à diminuição da produção de energia, que normalmente vem acompanhada de fadiga e fraqueza muscular. A anemia ocorre por produção diminuída de hemácias, destruição anormal de hemácias ou sangramento.  As anormalidades da produção de hemácias ocorre devido a um defeito na síntese da hemoglobina, ou por causa de um  defeito na síntese do DNA. A anemia ferropriva tem sido associada a dificuldades emocionais, sociais e de aprendizado nas crianças, podendo ainda se mostrarem pouco responsivas, mais tensas, menos ativas e mais nervosas.
O ferro demonstrou grande importância no desempenho do sistema imunológico. Atua na proliferação de linfócitos e na atividade fagocitária  dos neutrófilos.  A candidíase e herpes simples são mais comuns no paciente  com deficiência de ferro. A deficiência de ferro danifica a eliminação intracelular de bactérias, pois determinados glóbulos brancos (neutrófilos) possuem proteínas  que exigem ferro que gerando radicais tóxicos de oxigênio, matam bactérias.
Seu excesso promove oxidação, uma vez que o ferro pode causar mutações genéticas, placas ateroscleróticas e câncer. A hemocromatose, doença genética com acúmulo de ferro nos tecidos, cursa normalmente com cirrose, diabetes, insuficiência cardíaca e coloração bronzeada  da pele por armazenagem excessiva no fígado, pâncreas, coração e epiderme.
Deficiência: A deficiência mais comum do ferro é denominada de anemia microcítica hipocrômica ou seja, anemia ferropriva. As principais causas vinculadas ao desenvolvimento da anemia são hemorragia, deficiências alimentares e parasitoses.
Fontes: Vísceras, carnes, ervilhas, espinafre, brócolis, ovos, quejo, ovos, leite.

. Fósforo
Funções:  O fósforo encontra-se em equilíbrio metabólico com o cálcio. Desenvolve importante papel na composição dos ácidos nucléicos; na estrutura fosfolipídica da membrana celular; na produção de energia; na contração muscular; na ativação de algumas vitaminas; combate a fadiga e atua como tônico cerebral.
Deficiência: Os principais sintomas são fadiga, perda de peso, irritabilidade, dores articulares, desmineralização óssea, alterações do crescimento, etc.
Fontes: tofu, leite em especial o desnatado, queijo, levedo de cerveja, couve-flor, batata.
\ Obs: O fósforo encontra-se em equilíbrio metabólico com o cálcio. Os fatores que favorecem a absorção de cálcio também o fazem para o fósforo, ou seja, competem entre si no processo de absorção intestinal. Logo, alimentos muito ricos em fósforo podem impedir a absorção de cálcio. Na ingestão excessiva de refrigerantes, que são alimentos ricos em fósforo, ocorre um bloqueio na absorção de cálcio, por competição de sítio de absorção.

. Flúor
Funções: Protege contra cáries dentárias; protege contra a osteosporose, uma vez que o flúor forma sais insolúveis  com o cálcio (fluorapatia) que se  ligam à matriz óssea e dentária, fortalecendo essas estruturas.
Deficiência: baixa resistência de dentes e ossos.
Fontes: peixes, frutos do mar, laticínios.

. Iodo
Funções: Protege contra os efeitos tóxicos dos materiais radioativos; é adicionado ao sal de cozinha afim de evitar o bócio (que se caracteriza  pelo aumento da glândula tireóide). O  iodo influencia as ações dos hormônios da glândula da tireóide, que estam vinculadas ao estímulo do metabolismo basal, do crescimento e da síntese de proteínas. Desta forma participam da formação de unhas e cabelos, formação de neurônios e espermatozóides, funções intelectuais, etc.
O iodo também tem ação para dissolver o muco aderido aos tubos respiratórios (porém os chamados agentes mucolíticos são drogas que devem ser prescritas por médicos).
Deficiência: A deficiência de iodo, caracteriza-se por hipotireoidismo com aumento do volume glandular, denominado bócio.
Fontes : sal de cozinha, peixes, ovos, laticínios, pão integral, cebola, espinafre e abacaxi.



. Magnésio
Funções: Estudos epidemiológicos sugerem que o magnésio é fator importante na proteção de doença isquêmica e é útil no tratamento de doenças cardiovasculares. O magnésio encontra-se em equilíbrio metabólico com o cálcio, porém de forma antagônica. Excesso de cálcio provoca quadro de deficiência de magnésio, enquanto deficiência de magnésio induz excesso de cálcio. O magnésio inibe a calcificação patológica, relaxa a musculatura, inibe a coagulação, enquanto que o cálcio tem ações contrárias.
Uma das causas da isquemia cardíaca, onde as artérias coronarianas não conseguem transportar todo o oxigênio necessário ao coração, são espasmos nos músculos lisos das paredes arteriais. Uma ingestão inadequada de magnésio poderia tornar as artérias coronarianas mais suscetíveis a espasmos musculares. Quantidade deficiente de magnésio, favorece que níveis excessivos de cálcio penetrem nas células cardíacas, introduzindo formas letais de oxigênio, podendo promover morte do tecido cardíaco e infarto agudo do miocárdio.
O magnésio regula o ritmo cardíaco, sendo importante na regulação da excitabilidade muscular; ajuda a prevenir formação de cálculos renais em especial os de oxalato de cálcio; benéfico no tratamento de doenças neuromusculares e nervosas; atua no metabolismo cerebral e na neurotrasmissão pois participa da síntese de serotonina; favorece a fixação de cálcio nos ossos e nos dentes; pode ser utilizado como coadjuvante no tratamento da síndrome pré-menstrual, favorecendo melhora nas cólicas, irritabilidade, fadiga, depressão e retenção hídrica.; pode ser usado no tratamento da osteosporose, pois regula a liberação de paratohormônio, evita as calcificações de partes moles que podem advir da terapia de altas doses de cálcio.
Deficiência: A deficiência de magnésio se caracteriza por fadiga, anorexia, deficiências de crescimento, insuficiência cardíaca, alterações neuromusculares, hipercolesterolemia, irritabilidade , aumento de adesividade plaquetária.
^ Obs:  O hipertireoisdismo, o estresse, doenças renais, medicamentos, problemas absortivos, diabetes, pancreatite são algumas das  patologias que levam a diminuição dos níveis de magnésio.
Fontes: vegetais verdes em geral, carnes, frutos do mar e laticínios.

. Manganês
Funções: Tem ação importante para o funcionamento normal da esquizofrenia e de algumas doenças nervosas; necessário para a estrutura óssea normal e útil no tratamento da osteoartrite; necessário para o metabolismo normal da glicose e benéfico no tratamento da diabetes mellitus; parece importante na formação de hormônios da tireóide; ajuda na absorção e no transporte de cobre; estimula o crescimento dos ossos e tecido conjuntivo (formação de colágeno).
Deficiência: está associada a arritmia cardíacas, intolerância a glicose, insuficiência pancreática, fragilidade de tendões e articulares; convulsões, paralisias.
Fontes: farelo de cereais, leite, moluscos, queijo, o espinafre, maçã.



. Potássio
Funções: Útil na prevenção e tratamento da hipertensão; regula a contratibilidade do músculo e a freqúência cardíaca; importante na contração muscular; participa da síntese protéica.
Deficiência: Sua deficiência está relacionada com quadros de alcoolismo, desnutrição, diabetes, vômito, diarréia, exercícios intensos e alguns medicamentos como diuréticos, laxativos, digitálicos, corticóides e aspirina, podendo estar associada a quadros como depressão, insuficiência cardíaca, fadiga e  arritmias.
Fontes: banana, abacate, espinafre, laranja, feijão, repolho, aípo, batata, passas, couve-flor, leite, cebola.

.          Selênio
Funções: Faz parte da enzima glutation peroxidase conferindo ação  antioxidante, atua na prevenção do câncer uma vez que os solos com baixo índice de  selênio apresentam maior incidência de câncer; é imunoestimulante aumentando a formação de anticorpos; previne contra doenças cardiovasculares evitando a aterosclerose; capaz de desintoxicar vários metais pesados, drogas, álcool, fumaça de cigarro; aumenta a longevidade e elasticidade da pele; aumenta a fertilidade masculina pois contribui para maior formação e motibilidade do esperma; atua como antiinflamatório e portanto útil na artrite e outras doenças auto-imunes, como lúpus eritematoso. Deve ser associado à fontes de vitamina E, uma vez que está vitamina potencializa os efeitos do mineral, agindo sinergicamente na proteção antioxidante dos tecidos. Além disso, doenças como aterosclerose, AIDS, doença de Alzheimer, sintomas de menopausa podem ser beneficiadas por  uso de fontes de selênio.
Deficiência: A doença de Keshan, identificada na China por déficit de sêlenio no solo, caracteriza-se por cardiomiopatia infantil e insuficiência cardíaca congestiva. Outras doenças, como catarata, doença celíaca, aterosclerose, infarto agudo do miocárdio, retinopatia diabética e degeneração macular, psoríase, também tem sido relacionadas com deficiência de selênio.
Fontes: brócolis, cogumelo, couve, aipo, pepino, alho, rabanete, levedo de cerveja, castanha-do-pará, salmão, gérmem-de-trigo, granola.

. Zinco
Funções: Melhora a imunidade favorecendo a produção de anticorpos e a imunidade celular (aumenta produção de linfócitos T), necessário para manutenção de olfato, paladar e visão; acelera a cicatrização de feridas; essencial às funções sexuais e reprodutivas, aparecendo em concentrações significativas no esperma e na próstata é fundamental na síntese de testosterona; útil no tratamento da acne; importante para formação de colágeno; participa da síntese e mantém atividade normal de insulina o que auxilia no tratamento da diabetes, antiinflamatório e útil no tratamento da artrite reumatóide, promove a liberação de hormônio de crescimento; atua como estabilizador nas estruturas moleculares de proteínas; participa da estrutura mineral de ossos e dentes e regula a atividade osteoblástica.
Deficiências: Sua deficiência está associada à imunodeficiência, disfunções hormonais; adoção de dieta vegetariana, já que suas principais fontes são de origem animal; fadiga; intolerância à glicose; manchas brancas nas unhas; cicatrização inadequada de feridas; medicamentos como digitálicos e pílulas anticoncepcionais; parasitoses levando a depleção e má absorção do mineral; tratamento como hemodiálise e quadros como insuficiência renal e pancreática; gravidez; demência; depressão; esquizofrenia; retocolite ulcerativa; doença de Cröhn; psoríase.
Fontes: farelo de trigo, gérmen de trigo, frutos do mar, carnes de animais contém zinco (de melhor biodisponibilidade) mais facilmente absorvido do que os de fontes vegetais.

Lúcia Moura Cardoso – Nutricionista Clínica Funcional e Mestre em Psicologia Social (Escrito em 07/03/2001)

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