1 de agosto de 2011

O Papel da Nutrição na Prevenção do Câncer de mama


Atualmente existem formas se de lutar contra a doença, tanto para as mulheres que querem se prevenir do câncer de mama ou para as que já foram acometidas pelo mal e desejam evitar que ele volte a se manifestar. Essas formas podem vir simplesmente através de uma dieta preventiva adequada, que através de seus nutrientes, também é capaz de prevenir uma imensidade de outras doenças, de ataque cardíaco a outros cânceres graves, diabetes e obesidade. A dieta preventiva contra o câncer de mama nos faz pensar no papel dos alimentos no desenvolvimento da doença. E pode-se afirmar que não existe um alimento que cause o câncer, mas sim uma série bem definida de alimentos que atuam em conjunto. Então um fator nutricional pode ter pouca influência, e vários juntos podem exercer um efeito muito prejudicial ou um poder protetor muito poderoso.
Assim como os alimentos, existem drogas que reduzem o  efeito do estrogênio, que atua como principal combustível para o crescimento do câncer de mama.
As drogas bloqueadoras de estrogênio são demasiado tóxicas para muitas mulheres.
O câncer de mama é chamado de tumor “estimulado hormonalmente”. Esse tumor têm seu desenvolvimento e crescimento estimulado primordialmente pelo estrogênio. Mas este hormônio é imensamente saudável quando em equilíbrio e têm uma variedade de papéis que promovem a boa saúde. O estrogênio protege contra a perda da densidade óssea, ajudando na absorção de cálcio pela corrente sangüínea. No trato urinário, contribui para a manutenção das membranas exteriores da uretra e da bexiga para prevenir infecções,  estimula ainda a retenção de água e a lubrificação de óleo na epiderme, de maneira que a pele permaneça mais jovem. Interage também com os fatores de crescimento dos neurônios para proteger as células do cérebro contra a degeneração.
 Os estrogênios podem ser classificados como estrógenos fortes e fracos, bons e maus, e químicos.  O estradiol, por exemplo, é considerado um “estrógeno forte” e é o principal estrógeno natural e o mais ativo e característico produzido pelo corpo. Os “estrógenos fracos” também são chamados de “estrógenos vegetais” ou fito-hormônios, uma vez que são retiradas de plantas como a soja e a linhaça. Os fortes e fracos são os estrógenos ativos que circulam pela corrente sangüínea. Os estrogênios químicos são substâncias químicas encontradas no meio ambiente, especialmente pesticidas, que agem como verdadeiros estrogênios no corpo. Existem também, drogas denominadas de anti estrogênios, (tamoxifeno e raloxifeno), que bloqueiam os efeitos do estrogênio na mama.
Todos os estrógenos têm um aspecto em comum, eles devem se ligar a um receptor para poderem funcionar. O receptor estrogênico é uma estrutura protéica do citoplasma das células dos órgãos-alvo, sensível aos estrógenos e que permite ao hormônio penetrar no núcleo celular. Os receptores são “interruptores” que ligam sistemas biológicos, como um interruptor de eletricidade acenderia a luz. O receptor só é ligado por uma molécula que se encaixe com absoluta precisão no receptor, como uma chave numa fechadura. A chave é o estrogênio.
O estrogênio produz benefícios porque o cérebro, os ossos, o coração, e o útero têm esses receptores estrogênicos. Existe um outro órgão no corpo, carregado de receptores estrogênicos, que absorve o estrogênio de sua corrente sangüínea. É a mama. Quando demasiados estrógenos fortes, maus ou químicos chegam a esses receptores na mama, o potencial para o crescimento de células cancerosas aumenta.
A mama da mulher madura é feita de alvéolos - glândulas secretoras de leite. O leite flui desses alvéolos para sacos alveolares, atrás do mamilo, para os ductos que o conduzem - os canais galactófaros - e para um bico rodeado por uma aréola rica em glândulas sebáceas. Os alvéolos (glândulas secretoras) e os ductos condutores de leite têm um revestimento interno. O estrogênio afeta diretamente essas células epiteliais, que formam os sacos alveolares e os ductos lactíferos na mama, ao se ligar a seus receptores. É nessas células dos ductos condutores de leite que o câncer se desenvolve. O estrogênio faz com que essas células se dividam com mais freqüência e mais rapidamente, criando milhares de novas células. Ele faz isso ao ativar muitos genes responsáveis pelo crescimento e proliferação. Cada vez que essas células se dividem existe a possibilidade de que um erro seja feito, resultando em modificações no funcionamento normal da célula e em sua transformação em célula cancerosa. Muito estrogênio faz com que a célula se divida, se multiplique e cresça ainda mais rapidamente. Ele faz isso ao acelerar o “relógio de ciclo” da célula. Isso é, cada célula tem um gene “relógio” que determina quão rápida ou lentamente ela cresce e se replica. O excesso de estrogênio acelera esse relógio. Se essas forem células cancerosas, o que elas precisam para se dividir e florescer é de combustível; e esse combustível é o estrogênio.
Os ovários, as glândulas supra-renais e as células adiposas são as principais fábricas de estrogênio. Se o ritmo de produção delas entrar em marcha acelerada, grandes quantidades de estrogênio serão secretadas em sua corrente sangüínea e isto aumentará seu fator de risco de ter câncer de mama. Quanto mais altas suas taxas de estrogênio, mais alto o risco de incidência de câncer de mama. Foi descoberto que as mulheres, na fase da pós-menopausa, que desenvolveram câncer de mama tinham apresentado um valor acentuadamente mais alto nas taxas de estrogênio medidas em seu sangue do que as mulheres que não tinham câncer. O risco de ter câncer de mama também depende do tipo de estrógeno que se liga aos receptores estrogênicos na mama .Um estrogênio forte quando  se liga ao receptor estrogênico, cria um sinal poderoso dentro da célula da mama para promover o crescimento celular. Quanto mais potente o estrógeno, maior é o seu potencial de promover o câncer. Estrógenos muito fracos podem proteger do câncer ao bloquear o acesso ao receptor, de maneira que os estrógenos muito poderosos não possam se inserir ou penetrar. Os estrógenos mais fracos não deixam nenhum espaço para os estrógenos poderosos se ligarem aos receptores. Isso significa que muito pouca potência é passada para a célula e o sinal que alcança o DNA da célula é fraco, criando pouco potencial para um crescimento celular e conseqüentemente desenvolvimento de câncer.




Os alimentos podem agir para servir como defesa contra o desenvolvimento do câncer. Eles podem:
ð interromper os cursos hormonais seqüenciais que causam o câncer;
ð reparar o DNA do material genético;
ð desativar as substâncias químicas nocivas
ð desativar as enzimas que estimulam reações químicas;
ð encontrar e eliminar as células mutantes;
ð baixar os níveis de agentes oxidantes com antioxidantes;
ð inibir o crescimento do tumor.
Os alimentos são capazes de fornecer todas essas ferramentas para impedir um câncer antes que ele comece.

Dietas com alto teor de gorduras promovem taxas de estradiol mais altas e taxas muito mais elevadas de incidência de câncer de mama. Uma dieta com alto teor de gorduras aumenta a produção de estradiol em 30%.
Uma dieta rica em fibras, associada ao baixo teor de gorduras favorece uma diminuição dos níveis de estradiol, consequentemente menor será o risco de câncer de mama.
A fibra se torna um agente preventivo poderoso por interromper a maioria dos estágios no caminho seqüencial do estrogênio, de tal forma que diminui a taxa de um estrógeno no sangue, chamado estrona, em poderosos 36%. Isso se traduz em uma redução de 54% no risco de incidência de câncer. Um alto consumo de fibra resulta em uma redução significativa nas concentrações séricas de estrona e estradiol em mulheres na pré-menopausa. A fibra produz mais moléculas portadoras de estrogénos, captura estrogênio nos intestinos de maneira que não possa ser reabsorvido, reduz a carga de glicose, diminui a fome e acelera a perda do excesso de peso.
O excesso de gordura corporal funciona como uma fábrica de estrogênio. Quanto mais células adiposas e quanto maiores elas forem, mais estrogênio produzem. A obesidade é associada a um menor índice de sobrevivência em mulheres que contraem o câncer
A gordura abdominal potencializa a produção de estrogênio. Mulheres que acumulam mais gordura na parte superior do corpo (nos seios e parte superior do abdômen), ou seja, que se enquadram no perfil de obesidade andróide, são as que correm maior risco.
Meninas com pouca gordura corporal têm uma menarca mais tardia. Mulheres com pouca gordura corporal tornam mais lenta a retomada da ovulação depois de amamentar e reduzem a área de depósito de estrogênios químicos. Depois da menopausa, uma menor quantidade de gordura corporal diminui a produção de mau estrogênio e aumenta a produção de moléculas portadoras de estrogênio. Para mulheres mais jovens, a gordura corporal mais baixa torna os tumores muito mais fáceis de serem descobertos. Os tumores são notoriamente difíceis de se encontrar em mulheres jovens com mais de 15% a 20% de excesso de peso em gordura.
A insulina é um forte estimulador do efeito estrogênico, atua como fator estimulante de crescimento no desenvolvimento do câncer. Ela funciona como um estrógeno de força média, estimulando as células a se dividirem exatamente como o estrogênio. Isso pode parecer sem importância, mas o estrogênio e a insulina funcionam sinergicamente, estimulando o DNA a copiar suas mensagens para o crescimento e a divisão de células. 
Existem receptores de insulina na superfície das células da mama, exatamente como existem os receptores estrogênicos. A insulina amplia a probabilidade de que as células se tornem cancerosas ao se ligar a esses receptores. Células cancerosas também têm receptores de insulina. Quando a insulina se liga ao receptor, ela o estimula levando ao crescimento do câncer.
 Na obesidade andróide, onde o excesso de gordura é localizado acima dos quadris, o risco de se ter uma taxa alta de insulina é maior do que na obesidade onde o excesso de gordura fica localizado abaixo dos quadris. Mulheres que desenvolvem obesidade andróide geralmente adotam uma dieta com alto teor de glicose (rica em carboidratos) e sofrem de uma produção excessiva de insulina. Uma vez que a alta taxa de insulina é um estimulador potente do efeito estrogênico e fornece muito mais estimulação para que a célula da mama se altere, cresça ou se divida, é importante reduzir tais taxas tanto para se defender contra o câncer como para controlar seu peso.
Estudos de casos controlados demonstraram que a insulina alta e a obesidade abdominal são marcadores indicativos de câncer de mama na pós-menopausa. Insulina em excesso também pode estimular a atividade de crescimento em um câncer de mama já existente.
Altas taxas de açúcar e de insulina no sangue podem favorecer o desenvolvimento de diabetes Tipo II. Essa é uma doença que pode resultar em severas complicações como cegueira, doenças cardíacas, renais e etc.
A presença de diabetes ou taxas elevadas de insulina no sangue (hiperinsulinemia) são fatores que podem aumentar o risco de se contrair câncer de mama. Logo deve-se:

* Evitar gorduras saturadas - pois estas aumentam a resistência à insulina. A resistência à insulina significa simplesmente que seu corpo não reage a quantidades normais de insulina e à assimilação de açúcar pelas células. Isso leva seu corpo a produzir taxas muito mais altas de insulina para compensar, dessa forma contribuindo para o acúmulo de gorduras, obesidade e risco de câncer.

* Diminuir a obesidade na parte superior do corpo - diminuir a obesidade resulta em menor resistência à insulina e uma produção menor de insulina.

* A prática regular de exercícios reduz a necessidade de insulina. A atividade física permite a assimilação do açúcar pelas células dos músculos carentes de insulina, de maneira que o corpo não precise mais produzir uma quantidade excessiva.

* Reduzir a carga de glicose - substitua todos os outros carboidratos por alimentos de baixo índice glicêmico. Os carboidratos de baixo índice glicêmico são feijão, plantas hortíferas e crucíferas e cereais ricos em fibras e com baixo teor de açúcar.

* Comer mais fibras solúveis - as fibras solúveis formam uma massa gelatinosa que forra as paredes do intestino e torna mais lenta a absorção, reduzindo a assimilação de glicose e diminuindo a resposta da insulina.

O álcool é um fator que pode impulsionar quantidade de estrogênio para níveis elevados.
O consumo de álcool é o fator dietético relacionado ao câncer de mama, pois diminui a capacidade do corpo de usar ácido fólico, o que por sua vez afeta de maneira prejudicial a ordenação normal dos genes. Pode também elevar o valor total de estrogênio e a quantidade de estradiol livre fica disponível para se ligar à mama. A abstinência diminui a produção de estrogênio. No extremo oposto, o consumo de grandes quantidades de álcool, especialmente quando resulta em doença do fígado, aumenta enormemente o risco de câncer. A explicação é a seguinte: o fígado tira o estrogênio de circulação. Quando o fígado está comprometido, as taxas de estrogênio podem subir rapidamente.


Uma dieta rica em legumes e verduras crucíferas, onde se incluem nessa categoria a couve-flôr, brócolis e repolho, é importante para direcionar seu estrogênio para que ele se torne bom estrogênio, em vez de mau. Praticar exercícios e ter baixo percentual de gordura no corpo também aumentam a produção de bom estrogênio. O álcool, os ácidos graxos (óleos) poliinsaturados e o excesso de gordura no corpo aumentam a produção de mau estrogênio.
O estrogênio circula pela corrente sangüínea por menos de um dia, então ele é descartado pelo corpo, que o transporta da corrente sangüínea através do fígado para o intestino a fim de ser excretado. Para tornar o estrogênio mais fácil de eliminar, o corpo processa os estrógenos de diferentes formas. Os produtos de decomposição química resultantes são um “bom estrogênio” ou “mau estrogênio”. O bom parece proteger do câncer de mama, enquanto que o mau pode desempenhar um papel muito influente em desencadear o desenvolvimento do câncer.
As hortaliças crucíferas possuem um ingrediente chamado indol-3 carbinol, que transforma os produtos da decomposição química do estrogênio em muito mais “bons” ( 2-hidroxiesterona) estrógenos do que “maus” estrógenos ( 16-alfa-hidroxiesterona). Mulheres com câncer de mama têm quase que o dobro de maus estrógenos do que mulheres sem câncer de mama. Os maus estrógenos também causam mutações nas células da mama. Um outro mau estrógeno (4-hidroxi) pode danificar diretamente o DNA da célula.
O indol-3 carbinol das crucíferas pode aumentar a quantidade de bons estrógenos ao mesmo tempo em que diminui os maus. O indol-3 carbinol dos brócolis interrompe o crescimento das células de câncer de mama ao desviar uma enzima de importância crucial para o ciclo de crescimento das células.
O indol-3 carbinol pode ser desativado pelo calor. Desta forma, deve-se evitar as hortaliças murchas ou demasiadamente cozidas. Um leve cozimento no vapor ou passar rapidamente na frigideira, untada com um pouco de azeite em fogo alto, sempre mexendo com a colher de pau, pode conservar o ingrediente ativo.

ðO consumo de produtos hortifrutigranjeiros orgânicos, ou seja, com ausência de agrotóxicos, minimiza o seu risco de ingerir estrogênios químicos. O consumo de alimentos orgânicos (sem agrotóxico) diminui o risco de ingestão de estrogênios químicos.

ð Existem carnes que contêm quantidades mais reduzidas de estrogênios químicos ou injetados. Retirar a pele e a gordura da carne de galinha é importante, porque ao retirar essas fontes de gordura antes de cozinhar, há uma diminuição da ingestão de agentes carcinogênicos em potencial depositados na gordura. Certifique-se também de marinar sua galinha antes de grelhar, uma vez que a galinha grelhada não marinada ainda pode conter a mesma quantidade considerável de aminas heterocíclicas que as carnes vermelha têm. Procure também comer carnes mais seguras como carne de peru, coelho, as quais contêm muito menos estrogênios químicos.

ð Os produtos derivados de leite contêm cloridratos organofosforados, principalmente na gordura, de maneira que produtos com baixo teor de gordura são muito seguros. Leite e produto derivado de leite, organicamente produzidos, com baixo teor de gordura, são os de melhor escolha, assim como o leite de soja.

ð Dar preferência aos peixes de alto mar e de água fria como atum, vermelho, viola, cação.


O estrogênio pode ainda, quando é posto no intestino para ser eliminado, ser reabsorvido para a corrente sangüínea. É o que se chama estrogênio reciclado. Isso pode contribuir para altos níveis de estrogênio no sangue. Grandes quantidades de fibras no intestino impedem essa reabsorção, pois a fibra se liga ao estrogênio no intestino de maneira que o corpo não possa reabsorvê-lo. Se existir pouca fibra na dieta, o estrogênio permanece livre no intestino e pode ser reabsorvido pelo corpo e entrar de novo na corrente sangüínea.
A maior parte do estrogênio é transportada dos ovários e de outras fontes para a corrente sangüínea pela chamada molécula portadora. Somente o estrogênio que é “livre” pode se ligar a um receptor estrogênico na mama. Quanto mais alta a quantidade de estrogênio livre em seu sangue, maior risco de câncer de mama. O estrogênio não consegue abrir caminho até a mama enquanto estiver preso a sua molécula transportadora. Então, uma maneira eficaz de diminuir a quantidade de estrogênio livre no sangue é aumentar a produção de moléculas transportadoras, evitando assim a conexão do estrogênio com seus receptores.
 Logo, quanto menor a taxa de insulina, mais moléculas portadoras de estrogênio seu corpo produzirá. Uma dieta com baixo teor de gorduras também reduz a quantidade de estrogênio livre em mulheres saudáveis na pós-menopausa. A soja também produz mais moléculas portadoras. Uma dieta rica em fibras ajuda a ligar mais estrogênio livre em seu sangue e o mantém em níveis mais baixos e seguros.
Existem alimentos que desempenham a função de bloquear os receptores estrogênicos, tais substâncias são derivadas de plantas que imitam a ação dos estrógenos e também se encaixam nos receptores estrogênicos, ou seja, se encaixam nos receptores estrogênicos na condição de estrógeno fraco e levam pouca potência aos receptores, tendo pouco efeito sobre o DNA da célula e sobre o crescimento de células da mama; bloqueando o acesso dos estrogênios fortes e químicos.
Duas fontes importantes de estrogénos fracos são a soja e a linhaça. Estudos demonstraram que tumores de mulheres que haviam tido diagnóstico de câncer de mama e que ingeriam semente de linhaça, durante um período relativamente curto entre o diagnóstico e a cirurgia - não mais do que algumas semanas - de fato, diminuíram de tamanho.
A soja tem o potencial de prevenir doenças cardíacas e do câncer, pois ataca o percurso seqüencial do estrogênio em diversos lugares. A genisteína é o nutracêutico presente na soja que produz efeito bloqueador no câncer de mama, pois desloca estrogênios fortes e estrogênios químicos dos recptores estrogênicos. Os produtos de soja que não contêm genisteína não produzem qualquer efeito bloqueador de estrogênio.
A proteína de soja têm alto teor de fibras, baixa carga de glicose e é rica em aminoácido tirosina que desempenha papel importante para uma boa energia mental. A tabela abaixo inclui uma breve lista de alimentos de soja e quantas gramas de proteína de soja eles contêm por porção média.





Alimento
Gramas de proteína
Porção média
Refeição de soja, crua s/gordura
45,0
½ xícara
Proteína de soja, concentrada
58,1
28 a 34 gramas
Feijão de soja, cozido e fervido
16,6
½ xícara
Feijão de soja, tostado seco  
39,6
½ xícara
leite de soja
2,8
½ xícara
Tofu, cru, firme
15,6
½ xícara
Tofu, cru, comum
8,1
½ xícara




Uma maneira fácil de ingerir as grandes quantidades de soja necessárias para protegê-la do câncer de mama é tomando shake com base de proteína de soja em pó prescrito pelo seu nutricionista ou ainda fazer uso de nozes de soja tostadas.
O hambúrguer de soja também pode ser usado e é encontrado em lojas de alimentos naturais e mercados alternativos.
O leite de soja também constitui uma maneira fácil de se consumir proteína de soja.
Outra opção é o feijão de soja, que pode ser moído e transformado em uma farinha fina, porém pode provocar muitos gases e desconforto intestinal.
A proteína de soja texturizada, também pode ser usada como farinha de soja, que é comprimida para adquirir uma consistência mais carnuda e mais granulada.
O óleo de soja vegetal contém 61% de ácidos graxos ômega 6. Sua forma hidrogenada é ainda pior e deve ser evitado.
O molho de soja só tem uma minúscula quantidade de proteína de soja e ainda contém muito sódio.



Uma dieta constituída de carboidratos complexos é importante por que ela aumenta a fermentação no intestino, ativando o ingrediente ativo da soja. Esta ingestão mais alta de carboidratos aumenta a absorção de estrogênios fracos.
A semente de linhaça ou linho é um dos alimentos com propriedade positiva no combate ao câncer de mama uma vez que bloqueia o percurso seqüencial do estrogênio e o efeito “propulsivo” ou de reforço do estrogênio, pode limitar o estrogênio nas células adiposas, tornar mais longo o ciclo menstrual e aumentar o número de moléculas portadoras de estrogênio. É a planta conhecida como a mais rica fonte de ácidos graxos ômega 3 e a mais rica fonte de estrógenos fracos, o que faz dela um superalimento.
A semente de linhaça moída fornece o efeito bloqueador de estrogênio adequado - somente a semente de linhaça e não o óleo. É importante que as sementes sejam moídas - ao serem moídas, a casca dura e externa das sementes é quebrada de maneira que as enzimas humanas tenham melhor acesso aos elementos benéficos dentro da semente.
Estima-se que seja necessário 25 gramas diárias de semente de linhaça moída. Uma maneira simples de obter as 25 gramas diárias é moer a semente de linhaça e incorporá-la em outros alimentos: ponha em seu suco de laranja, salpique na salada, misture com molhos, queijo cremoso ou iogurte.
Quando o estrogênio se liga ao receptor, um sinal é transmitido ao DNA das células. Esse sinal pode ser forte ou fraco. Um sinal muito forte pode significar um crescimento dramático das células, da mesma maneira que um sinal fraco pode significar pouco ou nenhum crescimento. A força desse sinal pode ser determinada pelos tipos de gorduras que você come. As ômega 6, encontradas no óleo de açafroa, óleo de amendoim, óleo de soja e óleo de milho, provocam um sinal muito poderoso. Já os ácidos graxos ômega 3, encontrados em óleos de peixe, têm um efeito muito positivo sobre as células das mamas ao diminuírem dramaticamente a força do sinal, além de serem importantes para melhora da artrite reumatóide, esclerose múltipla e doenças cardíacas.
O consumo de ácidos graxos ômega 9 (azeite de oliva por exemplo) na dieta, neutralizam o efeito propulsivo. O azeite de oliva também é carregado de poderosos antioxidantes que podem diminuir sua carga de agentes oxidantes.
A utilização de óleo de canola como fonte de gordura monoinsaturada também é benéfica para a redução do risco de câncer de mama.
A tabela abaixo explica a quantidade total de ácidos graxos ômega 3 em vários peixes e óleos de peixe. Procure os ácidos graxos AEP (EPA) e ADH (DHA). Essas siglas significam ácido eicosapentanóico e ácido decosahhexanóico. Eles são os ácidos graxos mais importantes encontrados em peixes. A tabela lista a quantidade de AEP e de ADH mais o total combinado deles.

ÁCIDOS GRAXOS ÔMEGA 3 EM PEIXES E ÓLEOS DE PEIXES
Óleo de Salmão
8,8
11,1
19,9
Óleo de Fígado de Bacalhau
9,0
9.5
18,5
Óleo de Arenque
7,1
4,3
11,4
Cavala do Atlântico
0,9
1,6
2,5
Cavala do Reino
1,0
1,2
2,2
Xixaro
0,5
1,5
2,0
Caboz
0,9
1,0
1,9
Cação
0,7
1,2
1,9
Cavala do Japão
0,5
1,3
1,8
Arenque do Pacífico
1,0
0,7
1,7
Arenque do Atlântico
0,7
0,9
1,6
Truta do gênero salvelinus
0,5
1,1
1,6
Atum
0,4
1,2
1,6
Anchova européia
0,5
0,9
1,4
Salmão do Atlântico
0,3
0,9
1,2
Salmão Rosa
0,4
0,6
1,0
Mexilhão e outros moluscos
0,6
0,4
1,0
Garoupa
0,3
0,4
0,7
Atuns não especificados
0,1
0,4
0,5
Camarão do mar do Norte
0,3
0,2
0,5
Enguia européia
0,1
0,1
0,3

As Gorduras ou ácidos graxos ômega 6, denominados de ácidos graxos poliinsaturados, encontrados na maioria dos óleos vegetais e margarinas atuam como tijolos que constroem a estrutura do sistema “propulsivo” de crescimento das células da mama, aumentando o risco de incidência de câncer de mama em 69%.
Os ácidos graxos ômega 3 e ômega 9 são mais saudáveis para o coração do que o ácido graxo ômega 6. Enquanto o ômega 6 apenas diminui o colesterol ruim, tanto ômega 3 quanto ômega 9, além de diminuírem o mau colesterol, também aumentam o bom colesterol.
Os alimentos ômega 6 são aqueles que foram quimicamente alterados, transformando-se em óleos animais e vegetais endurecidos artificialmente, por um processo chamado hidrogenação dos óleos. Para evitar esses ácidos ou gorduras-trans, não compre alimentos com as palavras “hidrogenado” ou “parcialmente hidrogenado” no rótulo. Eles podem reduzir a produção de prostaglandinas saudáveis. As boas prostaglandinas reduzem o efeito “propulsivo” nas células dos ductos lactíferos.
As gorduras saturadas podem aumentar os níveis de insulina. A camada externa de seu músculo é o que permite que o açúcar passe para o interior da célula muscular. Se você tem uma dieta rica em gorduras saturadas, aquela camada externa permitirá a absorção do açúcar com muito mais dificuldade. Isto tornará seu músculo muito mais resistente ao efeito da insulina, o que provocará um aumento na taxa de gordura no sangue. O corpo então terá que produzir mais insulina, que aumenta o risco de câncer de mama.
Existem alguns estudos que constataram que as mulheres que comiam principalmente carnes vermelhas gordas tinham um risco de incidência de câncer de mama maior. Essa risco pode ser oriundo da própria proteína animal. Os estudos demostraram uma pronunciada diminuição no risco com a ingestão de proteínas vegetais. Todas as carnes têm a probabilidade de oferecer risco carcinógeno se forem marinadas e não grelhadas diretamente sobre o fogo. A grelha pode introduzir um potente carcinógeno chamado aminos heterocíclicos. Os aminos heterocíclicos contribuem para o desenvolvimento do câncer porque eles danificam o DNA e já foi demonstrado que induzem o surgimento de tumores em estudos feitos com animais. Mais aminos heterocíclicos são criados quando a carne (bem como aves e peixes) é assada em alta temperatura (em churrasqueiras, na grelha ou na frigideira) até estar bem passada. Ferver, cozinhar em fogo brando ou escaldar produz menos heterocíclicos. Carnes malpassadas ou ao ponto contêm menos heterocíclicos, eles estão presentes até nos molhos ou caldos de carne feitos na frigideira com a gordura que a própria carne dessora. Uma alternativa para diminuir os amino heterocíclicos seria pré-cozer no vapor ou em forno baixo e concluir o cozimento na grelha ou marinar ( deixar de molho em vinhad’alho, ou em qualquer molho ligeiramente ácido e temperado com ervas e especiarias).
Uma dieta de muito baixo teor de gorduras e alto teor de carboidratos refinados e açúcares, pode produzir  formação de gordura ou ácido graxo saturado chamado ácido palmítico. Isso se reflete em seu sangue através de um aumento em triglicerídeos, que transportam a gordura na corrente sanguinea. Logo deve-se dar preferência a ingestão de carboidratos complexos tais como leguminosas, cereais, vegetais, uma vez que os mesmos favorecem uma absorção lentificada promovendo proteção contra diabetes, intolerância à glicose e hipertrigliceridemia.


Quando o tecido da mama amadurece, ele se torna mais resistente aos efeitos de substâncias carcinogênicas. Os ductos lactíferos de mulheres que nunca tiveram filho são considerados imaturos, o que as coloca numa posição de maior risco em relação as mulheres que já amamentaram. Mas temos mais uma boa notícia. A proteína de soja amadurece os ductos ou canais das mamas para torná-las mais resistentes ao câncer, e assim, oferece proteção as mulheres mais jovens.

Para que grandes quantidades de estrogênio não sirva de combustível, ou seja, provedor do câncer de mama, podemos ingerir alimentos que diminuem a carga de agentes oxidantes ao fornecerem uma grande quantidade de antioxidantes. Uma grande quantidade de antioxidantes reduz substancialmente a degradação devida aos efeitos da oxidação. A única maneira eficaz de ingerir esses antioxidantes é através de uma dieta rica em frutas e verduras.
Uma dieta rica em frutas e hortaliças é o mais poderoso passo pró-ativo para baixar a carga de agentes oxidantes.
Os carotenóides têm alto poder antioxidante e anticâncer. O betacaroteno é o exemplo mais popular, ao lado da luteína, zeax-anthin (citoquinino) e licopeno, que vêm rapidamente adquirindo respeito científico, sendo amplamente difundidos como poderosos antioxidantes.
O licopeno é o carotenóide responsável pela proteção contra doenças cardíacas e câncer, o que durante muito tempo foi creditado ao betacaroteno. O licopeno não é bem absorvido a menos que tenha sido cozido e concentrado. Isso faz do molho de tomate, pasta de tomate e suco de tomate aquecido as melhores fontes.

CAPACIDADE ANTIOXIDANTE
DE VERDURAS E HORTALIÇAS SELECIONADAS 
Hortaliça
Capacidade antioxidante
Alho
19,4
Couve
17,7
Espinafre
12,6
Couve-de-bruxelas
9,8
Broto de alfafa
9,3
Brócolis (flor)
8,9
Beterraba
8,4
Pimentão vermelho
7,1
Cebola
4,5
Milho
4,0
Beringela
3,9
Couve-flor
3,8
Batata
3,1
Batata-doce
3,0
Repolho
3,0
Folha de Alface
2,6
Cenoura
2,1
Feijão-de-corda
2,0
Abóbora amarela
1,5
Aipo
0,6
Pepino
0,5

Tabela adaptada do Journal of Agricultural and Food + Chemistry 44 (1996): 3426-3431








CAPACIDADE ANTIOXIDANTE DE FRUTAS SELECIONADAS
Fruta
Capacidade Antioxidante
Morango
15,36
Ameixa
9,49
Laranja
7,50
Uva vermelha
7,39
Kiwi
6,02
Grapefruit rosa
4,83
Uva branca
4,46
Banana
2,21
Maçã
2,18
Tomate
1,89
Pêra
1,34
Melão
0,97





ALIMENTOS COM OS MAIS ALTOS VALORES ANTIOXIDANTES
Antioxidante
Valor Antioxidante
Alimento
Quercetina
4,7
cebolas, casca de maçã, bagas, uvas pretas, chá, brócolis
Cianidrina
4,4
Uvas, framboesas, morangos
Delfinidrina
4,4
casca de berinjela
Epigalocatequina
3,8
chás
Licopeno
2,9
Tomates
(Epi)catequina
2,4
Uvas pretas, vinho tinto,
P-ácido cumérico
2,2
Uvas brancas, tomates, espinafres, repolho
Luteolina
2,1
Limão, azeitona, aipo, pimentão vermelho
Betacriptoxantina
2,0
Manga, mamão, pêssegos, páprica, laranja
Betacaroteno
1,9
Cenoura, batata doce, tomates, páprica, hortaliças verdes
Taxifolina
1,9
Frutas cítricas
Ácido ferúlico
1,9
Grãos, tomates, espinafre, repolho, aspargos
Oenin
1,8
Uvas pretas, vinho tinto
Luteína
1,5
Banana, casca de tangerina japonesa tipo satsuma, gema de ovo, hortaliças verdes
Apigenina
1,5
Aipo, salsa
Zeaxantina
1,4
Páprica, casca de tangerina satsuma
Crisina
1,4
Casca de fruta



Antioxidante
Valor Antioxidante
Alimento
Alfacaroteno
1,3
Tomates, cenouras, hortaliças verdes
Kaempferol
1,3
Endívias, alho poró, brócolis, grapefruit, chá
Ácido caféico
1,3
Uvas brancas, azeitonas, espinafre, repolho, aspargos
Ácido clorogênico
1,3
Maçãs, pêra, cereja, ameixas, tomates, pêssegos
Vitamina C
1,0
Frutas, hortaliças
Vitamina E
1,0
Grãos, nozes, óleo
E-quinona
0,7
Artemísia
Naringina
0,24
casca de frutas cítricas
Astaxantina
0,03
Salmão, corantes, alimentares, carne do caranguejo
Cataxantina
0,02
Cenouras, couve, corantes de alimentos, pimentões vermelhos



Além disso vale a pena ressaltar a importância de alimentos fontes de vitaminas B6, B12 e Ácido Fólico contra doenças cardiovasculares e formaçãoes tubulares dos tecidos nervosos.
A vitamina D é um potente inibidor da capacidade das células de se dividirem e crescerem, pois ajuda as células da mama a se tornarem mais maduras de maneira que fiquem menos vulneráveis às toxinas causadoras de câncer.
O exercício físico bloqueia o efeito estrogênico ao reduzir a produção de estrogênio, retardar a chegada da menarca, combater o acúmulo de gordura abdominal, reduzir as taxas de insulina e elevar as taxas de bom estrogênio. Parece também ajudar a prevenir uma recidiva de câncer uma vez que o aumento de peso ou obesidade favorece o surgimento do câncer.
.Embora a produção ovariana de estrogênio caia sensivelmente depois da menopausa, o estrogênio produzido pelas células supra-renais, pela gordura e músculos do corpo ainda pode fornecer uma quantidade significativa, especialmente em mulheres ocidentais.
A gordura é a principal fonte de produção de estrogênio para as mulheres na pós-menopausa, essa é a mais importante e perigosa fonte de estrogênio.
Desta forma a prevenção está relacionada com fatores anteriormente descritos como a: pratica de  exercícios, ingesta de óleo de peixe, consumo de plantas hortenses crucíferas, redução dos níveis de glicose, consumir fontes de alimentos antioxidantes, evitar as gorduras ômega 6, acrescentar fibras à dieta.
Algumas mulheres na pós-menopausa ainda produzem grandes quantidades de estrogênio, principalmente as mulheres com uma grande quantidade de gordura corporal ou que ingerem uma dieta muito rica em calorias, gorduras, e pobre em fibras. Outras mulheres estão tomando estrogênio como parte da terapia de reposição hormonal (TRH) e bebem álcool diariamente. Outras ainda têm grandes quantidades de estrogênios químicos concentradas na mama. Ainda que você faça parte de um desses grupos, pode se beneficiar com a capacidade de um bloqueador de estrogênio de deslocar e afastar esses estrógenos dos receptores estrogênicos, como é o caso da soja.
Para mulheres de meia idade e mulheres mais idosas, o consumo de algumas taças de vinho tinto podem proteger contra doenças do coração com apenas um risco minimamente aumentado de câncer de mama, mas somente para mulheres que já têm risco de doenças cardíacas. Mas as regras mudam se você estiver fazendo reposição hormonal, porque o álcool aumenta a taxa de estrogênio na corrente sanguinea, que por sua vez aumenta o risco de câncer de mama. Com a TRH, beber álcool pode triplicar a quantidade de estrógenos circulantes.

Os alimentos podem ainda atuar na promoção de um melhor estado nutricional na quimioterapia e radioterapia, tratamentos estes utilizados no combate ao câncer.

Lúcia Moura Cardoso – Nutricionista Clínica Funcional e Mestre em Psicologia Social (Escrito em 16/04/2001)

Nenhum comentário:

Postar um comentário